Venda à consignação no Vinted: que comissão definir em 2026

26 de maio de 2026 · 9 min de leitura · Pela equipa Dresskool

A comissão é a questão central da venda à consignação no Vinted. Demasiado baixa, trabalhas com prejuízo. Demasiado alta, não encontras consignantes. Entre as duas existe um equilíbrio preciso que torna a tua atividade rentável e atraente.

Este guia dá-te os escalões de comissão recomendados em 2026, os argumentos concretos para os justificar e as ferramentas para gerir a faturação sem gastar horas nisso.

Como funciona a comissão na venda à consignação

A venda à consignação é um modelo simples: um consignante confia-te a sua roupa, tu vende-la no Vinted e cobras uma comissão sobre cada venda realizada. O consignante recebe o resto.

Ao contrário da revenda clássica, tu não compras nada. A tua remuneração provém exclusivamente da comissão. É um modelo de investimento zero: se um artigo não se vende, devolve-lo.

Em contrapartida, fazes todo o trabalho:

Cada peça exige em média 30 minutos de trabalho, desde o momento em que a recebes até ao envio. Esse tempo é o mesmo, quer o artigo custe 8 euros ou 80 euros. É por isso que a comissão deve ser progressiva.

Os escalões de comissão recomendados

A tabela por escalões é o padrão da venda à consignação em 2026. Permite manteres-te justo com os consignantes, protegendo ao mesmo tempo a tua rentabilidade nas peças pequenas.

Peças vendidas abaixo de 15 euros: 50% de comissão

É o escalão mais importante a defender. Uma t-shirt vendida por 10 euros rende-te 5 euros por 30 minutos de trabalho. Já é uma tarifa horária baixa. Abaixo de 50%, a venda à consignação de peças pequenas não é viável.

O trabalho é exatamente o mesmo, quer a peça valha 8 ou 80 euros: mesmas fotografias, mesma redação, mesma embalagem, mesmo trajeto até ao ponto de recolha.

Peças vendidas entre 15 e 50 euros: 30 a 40% de comissão

É o escalão mais comum na venda à consignação no Vinted. A maioria das tuas vendas situar-se-á nesta faixa. A 40%, um vestido vendido por 35 euros rende-te 14 euros. A 30%, rende-te 10,50 euros.

A escolha entre 30 e 40% depende do teu posicionamento. Se te diriges a consignantes com peças de marcas correntes (Zara, H&M, Mango), fica nos 40%. Se recebes peças de marcas premium (Sézane, Ba&sh, Maje), 30% é aceitável porque o volume compensa.

Peças vendidas acima de 50 euros: 20 a 30% de comissão

Nas peças de valor -- marcas de luxo, peças de criadores, artigos novos com etiqueta -- uma comissão mais baixa é justificada. O consignante só aceita confiar uma peça cara se a partilha continuar a ser-lhe favorável.

A 25%, um casaco vendido por 120 euros rende-te 30 euros. É uma excelente relação tempo/rendimento para uma única venda.

Exemplo concreto: Com 80 artigos ativos provenientes de 6 consignantes, realizas 15 a 25 vendas por mês. Preço médio de venda: 25 euros. Comissão média: 35%. Rendimento mensal: 130 a 220 euros de comissões líquidas. Ao aumentar o número de consignantes e a qualidade das peças, atinges 350 a 450 euros por mês.

Como justificar a tua comissão aos consignantes

A transparência é o teu melhor argumento. Os consignantes que compreendem o teu trabalho aceitam a tua comissão sem negociar. Os que não a compreendem nunca serão bons parceiros.

Detalha o trabalho realizado

Prepara uma lista escrita de tudo o que fazes por cada peça. Mostra-a logo no primeiro contacto. Os consignantes não se apercebem do tempo necessário para vender um artigo no Vinted.

Argumento-chave: sem o teu serviço, a roupa deles fica num armário e não rende nada. Contigo, recuperam 50 a 70% do preço de venda sem mexer uma palha. É uma proposta clara e convincente.

Compara com as alternativas

Feira da ladra: o consignante raramente recupera mais de 1 a 3 euros por peça. Loja de venda à consignação física: as comissões são muitas vezes de 50 a 60%, com um prazo de venda bem mais longo. Doação a uma instituição de solidariedade: zero euros. O teu serviço, mesmo a 50%, continua a ser a melhor opção para o consignante.

Mostra os teus resultados

Após as tuas primeiras vendas, partilha os teus números: taxa de venda, prazo médio de venda, preços obtidos. Resultados concretos eliminam as hesitações.

O contrato de consignação: o que deve conter

Um contrato escrito é obrigatório assim que fazes venda à consignação de forma regular. Protege-te em caso de litígio e profissionaliza a tua atividade. Mesmo entre amigos, nunca saltes esta etapa.

O teu contrato de consignação deve abranger os seguintes pontos:

Um contrato bem redigido evita 95% dos conflitos. Os 5% restantes resolvem-se relendo o contrato em conjunto.

Para aprofundar o enquadramento jurídico, consulta o nosso guide complet du depot-vente Vinted.

Gerir os artigos não vendidos e as devoluções

Nem tudo se vende. É normal. A gestão dos artigos não vendidos é o que distingue uma venda à consignação organizada de uma caótica.

Define uma duração de consignação firme

60 a 90 dias é a norma. Para além disso, um artigo não vendido ocupa espaço, congestiona o teu catálogo e faz-te perder tempo em relatórios. Especificar esta duração no contrato evita qualquer discussão.

Propõe uma redução de preço antes da devolução

Aos 30 dias, baixa o preço em 10 a 15%. Aos 60 dias, propõe uma redução adicional de 20%. Avisa o consignante antes de cada ajuste. Se o artigo continua a não sair, devolve-o no termo do contrato.

Organiza as devoluções

Define um dia fixo por mês para as devoluções (por exemplo, o primeiro sábado). O consignante vem levantar as suas peças, tu atualizas o teu inventário e aproveitas a ocasião para receber novas peças.

Nunca guardes um artigo indefinidamente. Um stock que não roda é um stock morto.

Acompanhar os pagamentos e a faturação

A gestão financeira é o ponto fraco da maioria dos vendedores em venda à consignação. Quando geres 80 peças para 6 consignantes, os erros de cálculo surgem depressa se trabalhas num ficheiro Excel básico.

O que deves registar em cada venda

Automatizar com a DressKare

A DressKare é a ferramenta concebida para esta gestão. Gera automaticamente as faturas de comissão, acompanha os pagamentos por consignante e dá-te uma visão clara dos teus rendimentos. Sem mais tabelas manuais: cada venda é registada, cada euro é atribuído ao consignante certo.

O relatório mensal que envias aos teus consignantes torna-se uma exportação com um clique. É este nível de profissionalismo que fideliza os teus parceiros e te distingue dos vendedores amadores.

Estrutura a tua venda à consignação

A Dresskool dá-te o método, os contratos-tipo e as ferramentas para gerir as tuas comissões, consignantes e faturação.

Descobrir a Dresskool

Os erros a evitar na comissão

Sete erros surgem sistematicamente nos vendedores que começam na venda à consignação. Evitá-los faz-te ganhar meses.

  1. Aplicar uma taxa única -- Uma comissão fixa de 30% sobre tudo faz-te perder dinheiro nas peças pequenas e torna-te demasiado caro nas grandes. A tabela por escalões é indispensável.
  2. Negociar em baixa para atrair consignantes -- Se desces para 20% nas peças de 15 euros, ganhas 3 euros por 30 minutos de trabalho. Não é viável. Mais vale recusar um consignante do que trabalhar com prejuízo.
  3. Não formalizar a comissão -- Um acordo verbal leva a mal-entendidos. O consignante esquece a taxa acordada, contesta o montante recebido ou compara com outro vendedor. O contrato escrito elimina esse risco.
  4. Esquecer as taxas do Vinted -- A proteção do comprador do Vinted reduz o montante que recebes. Calcula a tua comissão sobre o montante líquido recebido, não sobre o preço exibido. Especifica este ponto no contrato.
  5. Aceitar peças invendáveis -- Um consignante que te dá 30 peças das quais 25 são básicos gastos a 3 euros cada não vale o teu tempo. Seleciona. A tua taxa de recusa deve ser de pelo menos 30%.
  6. Não prever redução de preço -- Sem uma cláusula de redução progressiva, ficas bloqueado com artigos ao mesmo preço durante 90 dias. O mercado do Vinted é dinâmico: um artigo que não se vende em 30 dias ao preço inicial precisa de um ajuste.
  7. Misturar contabilidade pessoal e venda à consignação -- As tuas vendas pessoais e as tuas vendas à consignação devem ser registadas separadamente. Para o fisco, só a tua comissão constitui o teu volume de negócios na venda à consignação.

Perguntas frequentes

Que comissão cobrar na venda à consignação no Vinted?

A comissão padrão situa-se entre 30 e 50% consoante o valor da peça. Para os artigos vendidos abaixo de 15 euros, cobra 50% porque o trabalho é o mesmo qualquer que seja o valor. Entre 15 e 50 euros, aplica 30 a 40%. Acima de 50 euros, bastam 20 a 30%.

Como justificar uma comissão de 50% aos consignantes?

Detalha o trabalho realizado: fotografias profissionais, redação dos anúncios, resposta aos compradores, embalagem, envio, gestão de litígios. Para um artigo de 10 euros, isso representa 30 minutos de trabalho. Sem o teu serviço, a peça ficaria num armário.

É preciso um contrato para fazer venda à consignação no Vinted?

Sim, um contrato de consignação é indispensável. Deve especificar a tabela de comissões, a duração da consignação, a política de preços, as condições de devolução dos artigos não vendidos e a responsabilidade em caso de perda ou litígio. Protege ambas as partes.

Quanto se pode ganhar com a venda à consignação no Vinted?

Com 80 artigos ativos provenientes de consignantes e um ritmo de 15 a 25 vendas por mês, podes gerar entre 350 e 450 euros de comissões mensais. O resultado depende do número de consignantes, da qualidade das peças e da tua regularidade.

Como gerir os artigos não vendidos na venda à consignação?

Define uma duração de consignação no teu contrato, geralmente 60 a 90 dias. No termo, propõe uma redução de preço de 20 a 30% ou devolve a peça. Nunca guardes um artigo indefinidamente: bloqueia o teu espaço de armazenamento e sobrecarrega a tua gestão.